Padrasto e madrasta

domingo, 1 de abril de 2012

Por Ana Castanho para bebe.com.br
Como construir um bom relacionamento com o filho do seu novo amor


O casal se separa. Novos encontros acontecem e um dos dois – ou os dois – inicia um relacionamento. Com ele, vem uma nova família... E aí como lidar com essa situação? Será que padrastos e madrastas são mesmo “maus” pelo simples fato de existirem, assim como nos contos de fadas?

Uma coisa é fato: o relacionamento que se estabelece entre a madrasta ou o padrasto e seus enteados é um fator decisivo para a estabilidade e o sucesso do novo casamento. Por isso, é preciso cultivar uma relação saudável desde o início – e contar com a colaboração dos pais. Os erros mais comuns cometidos nesse tipo de relação – e que devem ser evitados – são ciúme, disputa, falar mal do pai e da mãe da criança e não impor regras.

De acordo com a psicóloga e psicanalista Vera Iaconelli, “apoiar o companheiro escolhido e evitar criticá-lo na frente das crianças são comportamentos aconselháveis aos pais”.

A psicoterapeuta Roberta Palermo, autora do livro Madrasta – Quando o Homem da Sua Vida Já Tem Filhos, aconselha que padrastos e madrastas combinem regras com os pais das crianças para estabelecer um padrão nas ordens e regras. “A maior dificuldade para a criança é não ter uma hierarquia familiar definida, limite e rotina que a deixem segura.”

A terapeuta explica que a reação da criança com a chegada de um padrasto ou madrasta depende muito de como os pais conduzem ou conduziram a separação. “É importante deixar claro para o filho que estão se separando, mas que isso não o prejudicará porque ambos serão seus pais para sempre.”

Mais um fator importante a ser considerado, de acordo com a mestre em psicologia social Laura Cristina Eiras Coelho Soares, é que os filhos podem perceber o padrasto ou a madrasta como um obstáculo para uma eventual reconciliação de seus pais ou ter receio de se aproximar deles e, novamente, vivenciar uma separação. “É importante que tanto o pai como a mãe percebam que os lugares ocupados pelo padrasto e/ou pela madrasta não são substitutivos ao seu, mas que virão acrescentar novos espaços de cuidado. Ou seja, os filhos poderão estabelecer laços de afeto com o padrasto ou a madrasta sem sentir que estão traindo os pais”, diz.

Vera Iaconelli explica que a convivência com um padrasto ou uma madrasta pode exercer impactos negativos e positivos no desenvolvimento afetivo e psicológico da criança. “Seu horizonte pode aumentar com a chegada de mais adultos de referência e, com isso, as limitações dos pais podem ser amenizadas. O convívio pode ajudar a criança a ser mais tolerante diante das diferenças e ter mais fontes de identificação, além dos pais. Mas, se os adultos aproveitam a situação para acirrar disputas, é óbvio que todos sairão perdendo”, avisa.

Quando o bebê é pequeno e tem menos de 2 anos de idade, ele tem pouca compreensão sobre o que está acontecendo. Ele crescerá nesse novo sistema familiar. A criança de 3 ou 4 anos já percebe melhor a saída do pai de casa, entre outras mudanças que ocorram por causa da separação. Já o pequeno de 5 anos pode apresentar mudança de comportamento e sofrimento com a notícia, que eventualmente lhe causará frustração. Todas essas reações independem do sexo das crianças, embora seja mais comum a dificuldade de relacionamento entre madrasta e enteada – quase sempre por ciúme. Verônica Wolff, 36 anos, começou a namorar o pai do seu enteado quando ele tinha 5 anos. “Para que um relacionamento entre madrasta e enteado aconteça de maneira natural e sem crise, é importante que os quatro envolvidos (madrasta, pai, mãe e enteado) se esforcem para manter a harmonia da relação, evitando brigas e ciúme. Sempre me dei muito bem com meu enteado por saber o limite entre ser madrasta, ser amiga e, muitas vezes, ‘não ser ninguém’”, conta Verônica. “A madrasta é a namorada (ou a nova esposa) do pai. Não adianta querer fazer papel de mãe – ainda mais quando seu enteado convive com a dele.”

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