Alívio para os incômodos da gravidez

domingo, 17 de junho de 2012

Por Cida de Oliveira para bebe.com.br

Medidas simples ajudam a prevenir e amenizar desconfortos muito comuns na gravidez, como náusea, dor nas costas e prisão de ventre, dentre outros

Nem só de alegrias é feita a gestação. Nesses nove meses, é natural que surjam alguns incômodos, como dores, enjôos e inchaços, geralmente causados pelas mesmas alterações hormonais que preparam o organismo materno para gerar um novo ser. Mas isso não é regra. Há mulheres que praticamente passam por todo o período sem sentir nada de desagradável.

“No segundo trimestre da gravidez, os hormônios já se estabilizaram e o útero ainda não cresceu tanto. É o período mais tranquilo de toda a gestação, ideal para fazer o enxoval, preparar o quarto do bebê e cuidar de outros detalhes para o momento tão esperado”, explica a ginecologista e obstetra Carolina Carvalho, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Já ao longo dos três últimos meses, com o aumento do tamanho da barriga, é comum o aparecimento de outros desconfortos que podem se tornar frequentes até o final da gravidez. No entanto, não há motivos para desânimo. Medidas simples e práticas proporcionam o alívio que a gestante precisa para viver esse momento de maneira tranquila e prazerosa.

Azia - Surge mais no final da gravidez, quando o útero aumentado passa a comprimir o estômago, aumentando o refluxo de seu conteúdo ácido que causa a sensação de queimação. Conforme os especialistas, o alívio pode estar nas frutas cítricas, água com limão, bebidas e alimentos gelados. “Um picolé de limão é uma boa pedida”, sugere a especialista da Unifesp. “Um travesseiro mais alto, ou em alguns casos a elevação da cabeceira da cama pode ajudar a diminuir o refluxo”, completa. E atenção: antiácidos estomacais só devem ser tomados quando recomendados pelo obstetra.

Sangramento nas gengivas - Uma queixa muito comum nos consultórios dos obstetras é o sangramento gengival, no momento da escovação. “Isso acontece porque, durante a gravidez, o organismo da mulher fica hipervascularizado”, explica Carolina Carvalho. Ou seja, há o aumento do fluxo de sangue em todo o organismo, inclusive na boca. O cuidado na escovação, com cerdas macias, é recomendado. Mas o melhor é consultar o dentista para verificar eventuais problemas na gengiva, que é uma porta de entrada de bactérias nocivas para o organismo.

Náusea - Há gestantes que nem sabem o que é ficar enjoada na gravidez. Já a maioria começa a sentir esse incômodo logo nos primeiros dias, com o aumento das taxas dos hormônios Beta HCG e progesterona. Até a 12ª semana, quando seus níveis se estabilizam, a digestão fica mais lenta. Não há solução mágica para acabar com o problema, mas algumas medidas dão uma forcinha. Uma delas é fracionar as refeições em pequenas porções ao longo do dia, a cada três horas, sempre mastigando bem. Além de evitar a sensação de estômago cheio, isso proporciona a absorção dos nutrientes na medida certa. Como o jejum piora esse inconveniente, é sempre bom ter uma bolacha de água e sal por perto, para comer assim que levantar da cama. “Devem ser evitados os alimentos gordurosos e muito condimentados, de difícil digestão”, recomenda o ginecologista e obstetra Luiz Fernando Leite, do grupo Santa Joana, de São Paulo.

Dores nas costas - Com o aumento o crescimento do feto e o consequente aumento do peso da barriga, membros superiores e o tórax da gestante são projetados à frente, o que geralmente causa dores nas costas. O incômodo pode ser mais acentuado quando já há um desvio na coluna ou vícios posturais. Massagens, compressas com bolsas de água quente geralmente aliviam bastante. Mas em casos em a dor é muito intensa, os obstetras podem recomendar sessões de fisioterapia para reeducação postural e exercícios específicos.

Dores abdominais e pélvicas - Podem ser provocadas pelo peso da barriga ou por alterações típicas da gravidez, como atraso na digestão e no trânsito intestinal, que aumentam a produção de gases. “Uma dieta equilibrada, rica em frutas e verduras, ajuda a evitar esse desconforto”, explica Fúlvio Basso Filho. Essa dieta fundamental também para a saúde da gestante, segundo ele, deve ser dividida em oito partes – uma no café da manhã, uma no lanche matinal, duas no almoço, uma no lanche da tarde, uma no jantar e outra antes de dormir. Isso garante a reposição nutricional, facilita o esvaziamento gástrico e o funcionamento intestinal como um todo. “É preciso também ingerir bastante água e sucos. “Líquidos favorecem o funcionamento do organismo como um todo”. Ele recomenda ainda massagens e compressas. Mas ressalta que fazer hidroginástica, nadar e andar de bicicleta também são bem vindos. Esses exercícios fortalecem a musculatura, controlam o ganho de peso – que prejudica a postura, levando a dores – e liberam endorfinas, substâncias que aumentam a sensação de bem estar e atenuam toda essa lista de incômodos. Devem ser praticados pelo menos três vezes por semana, por mais de meia hora.

Hemorroida - Costumam aparecem entre o segundo e terceiro trimestres, quando o útero já aumentado passa a pressionar vários órgãos e vasos sanguíneos e há grande esforço na hora de evacuar, devido à prisão de ventre. Por isso, valem aqui as recomendações de uma alimentação rica em fibras para facilitar o trânsito intestinal e nunca forçar a evacuação.

Inchaço nas pernas - Mais comum nos três últimos meses, torna-se mais intenso quando o ganho de peso é excessivo– daí a importância da alimentação adequada e de exercícios. Carolina Carvalho, da Unifesp, recomenda à gestante que evite permanecer durante muito tempo na mesma posição, sem se movimentar. Outra dica importante é deitar pelo menos três vezes por dia, durante meia hora, com as pernas elevadas. Usar meias elásticas previne o aparecimento de varizes. E sempre que possível, praticar hidroginástica duas vezes por semana. “A pressão da água funciona como uma meia elástica, favorecendo a circulação do sangue”, explica. Conforme ressalta, pernas e tornozelos merecem atenção especial: costumam inchar devido à retenção de líquidos, o que chama a atenção dos médicos para o controle da pressão sanguínea e prevenção da eclâmpsia.

Prisão de ventre - Outro problema causado pela ação dos hormônios, pode piorar bastante se na dieta faltarem frutas, verduras, legumes, cereais integrais e grãos, que são ricos em fibras. “Isso porque esses nutrientes aumentam o bolo fecal e facilitam o trânsito intestinal”, explica o ginecologista e obstetra Fúlvio Basso Filho, do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo

Sonolência - É provocada pela ação dos hormônios, como a progesterona, que tem ação sedativa. Como nos últimos meses a gestante tem dificuldade para dormir por causa da barriga crescida, os médicos recomendam uma soneca durante o dia, sempre que possível. O ideal, segundo eles, é deitar de lado, com um travesseiro entre as pernas para facilitar o fluxo do sangue.

Seios doloridos - Logo no começo da gestação as mamas começam a se preparar para produzir o leite materno. Ficam mais sensíveis e têm o volume aumentado. “Isso não dá para evitar, mas a sensação de desconforto pode ser aliviada com o uso de um top bastante reforçado, bem ajustado ao corpo”, explica Carolina Carvalho, da Unifesp. Ela recomenda também o uso de um bom hidratante. Além da massagem durante a aplicação, que pode não só minimiza a sensação dolorosa como auxilia na prevenção de estrias.

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