Seu filho precisa mesmo de um berço?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

  (Sugestão da Jornalista/Empresária Andrea Regis)

Por  Renata Losso - especial para o iG São Paulo


Proposta montessoriana retira a peça do quarto e permite que a criança experimente o ambiente com liberdade


Ao engravidar de Theo, hoje com nove meses, a fotógrafa Marilia Scharlach se assustou com a quantidade de coisas que, se comprasse, seriam úteis somente no primeiro ano de vida do filho. O berço era um desses itens – além de ser caro, ocuparia um grande espaço ao lado de outros móveis.
À procura de simplicidade, Marilia, que também é autora do blog “acaratapa” , descobriu o quarto montessoriano, que não tem berço, e tem uma proposta bastante minimalista. Esse tipo de quarto é baseado no método Montessori, criado pela educadora italiana Maria Montessori no início do século XX, e pretende criar um ambiente estimulante para a criança.
A ausência do berço é apenas uma das particularidades do quarto montessoriano. De acordo com Edimara de Lima, psicopedagoga da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) e diretora da Prima Escola Montessori,em São Paulo, o quarto em questão se baseia no princípio de que a criança, nos primeiros anos de vida, elabora os próprios conceitos pela ação e pelo contato com o mundo em que vive: “Ela atua pela ‘mente absorvente’ e os órgãos sensoriais são os captadores dessas informações.”
A diretora da Aldeia Montessori, no Rio de Janeiro, e integrante da Comissão Científica da Organização Montessori do Brasil (OMB), Marcia Righetti, afirma que o quarto montessoriano deve ser um ambiente especialmente preparado para a criança onde tudo precisa ser pensado de forma que ela fique segura e livre ao mesmo tempo. “O ambiente tem que ser para a criança e não apenas para facilitar as tarefas dos adultos. O quarto precisa ser um ambiente seguro que ofereça liberdade àquela criança”, ressalta Marcia.
Gostou do conceito do quarto montessoriano? Veja abaixo as principais providências que devem ser tomadas para montar esse tipo de ambiente:
Berço x colchão
Sai o berço e entra o colchão, seja diretamente no chão, em cima de um estrado baixinho ou de um tatame de E.V.A. As mães podem pensar que essa cama pode causar dor nas costas para colocar o bebê para dormir, por exemplo, mas Marilia não acredita nessa hipótese. “É só ajoelhar para colocar a criança no chão e você libera a coluna de fazer força.”
Se a criança costuma rolar de noite, Marcia Righetti indica que os pais façam uma proteção em torno do colchão com travesseiros ou almofadas. Foi o que Marilia fez para Theo quando ele já estava com seis meses e começou a se mexer bastante enquanto dormia. “Essa barreira o protegia durante a noite. Depois que crescem um pouco, as crianças conseguem ultrapassá-la facilmente.” 
Ao alcance dos pequenos
Quase tudo no quarto montessoriano deve ficar na altura da criança, inclusive quadrinhos na parede ou enfeites em geral, para que ela tenha acesso livre a todos os objetos e desenvolva autonomia. É o que procura fazer Luíza Diener, 27, autora do blog “Potencial Gestante”  e mãe de Benjamim, dois anos. “Só não deixo tudo à mostra por questão de organização, mas deixo muitas roupinhas para ele alcançar, por exemplo.”
Cesta de tesouros
Edimara de Lima aconselha que haja um cantinho de atividades para a criança. Se for possível montar uma cesta de tesouros, melhor ainda. Dentro dela os pais devem colocar objetos do uso diário da casa, orienta o pesquisador e professor Gabriel Salomão, autor do blog “Lar Montessori” . “O objetivo de colocar esses objetos na cesta é estimular aspectos sensoriais da criança de forma livre”, afirma.
É preciso cuidado na hora de escolher esses objetos e se certificar que eles estimulem os sentidos, segundo Marcia Righetti. “Os brinquedos que as crianças mais gostam são os objetos usados normalmente na casa, como colher de pau ou copos, por exemplo. É legal oferecer matérias-primas distintas, não somente coisas feitas de plástico”, diz. Os pais devem trocar os objetos da cesta conforme o crescimento da criança para que ela vivencie diferentes experiências ao longo do tempo.
Poucos objetos
“A primeira pergunta a se fazer é: ‘meu filho precisa disso?’”, comenta Edimara. É fácil se exceder nas ofertas de atividades aos filhos, mas os pais devem lembrar que o quarto precisa ser ordenado e poucos objetos devem ser oferecidos por vez – por volta de três a seis, aproximadamente, de acordo com a idade da criança. No quarto de Benjamim, por exemplo, tem uma estanteem que Luíza organiza um rodízio de brinquedos que ficam ao alcance do filho.
Espelho e acessório de apoio
No quarto montessoriano o espelho serve para que a criança possa se conhecer e entender que é uma pessoa distinta da mãe, de acordo com Gabriel. Quando ela ainda não engatinha, esse espelho pode ser instalado na horizontal, ao lado da cama. Mais tarde, pode ficar na vertical em outra parede. Para garantir a segurança dos pequenos, é importante que esse espelho seja de acrílico e fique bem fixado na parede.
Outro item presente nesse tipo de ambiente é a barra instalada na parede. Com a ajuda dela a criança consegue levantar sozinha e se locomover de acordo com sua vontade, o que contribui para a evolução motora. Essa estimulação também pode ser obtida com um móvel bem fixo, como uma estante, por exemplo. Marilia instalou uma barra para Theo em sua casa. Ela conta que foi um projeto bem barato: usou apenas suporte de cortina e cabo de vassoura.
Segurança
Marcia Righetti sugere que os pais se coloquem na posição das crianças para saberem se o ambiente oferece riscos ou não. Tomadas e objetos pontiagudos devem ficar fora do alcance da criança. O objetivo do quarto montessoriano é promover a autonomia dos pequenos, mas é preciso tomar uma série de cuidados tanto com o quarto quanto com a casa para que isso ocorra. A criança cresce com mais independência, mas ainda é preciso monitorá-la com frequência. 
Conheça Maria Montessori, clicando aqui
Sobre o texto referido e fotos do quarto: clique aqui





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