Meu trabalho depois que ele chegou

domingo, 5 de maio de 2013

Por Natura Mamãe e Bebê para bebe.com.br

Com jornadas alternativas, escritório em casa ou mesmo mudando de profissão, mulheres encontram jeitos de continuar trabalhando sem abrir mão de seu papel de mãe

Há alguns anos, ao terem seus filhos, as mulheres só viam duas opções: ou paravam de trabalhar para se dedicarem à maternidade ou sofriam em longas - e rígidas - jornadas no escritório, ficando longe dos filhotes e sem poder participar de suas atividades. Hoje, felizmente, o cenário mudou. As mulheres conseguiram flexibilizar o mercado de trabalho e promover adaptações para conciliar maternidade e carreira. Para Anna Marcia Gallafrio, especialista em Coach para Mulheres, é natural que a mulher procure conciliar porque "a maternidade coloca a mulher frente a um novo sentido em sua vida, um novo papel social e familiar em que há grandes mudanças interiores e também em sua dinâmica doméstica e necessidade financeira". 

Segundo a antropóloga Hiline Yaccoub as organizações estão começando a entender esta necessidade das mães: "as empresas têm oferecido creches, berçários e horas livres para a participação das mães em eventos escolares". Mas, para Anna Marcia, o caminho a ser percorrido ainda é longo: "Poucas são as instituições que acolhem a mãe que precisa de flexibilidade, embora normalmente ela seja uma funcionária muito produtiva e dedicada". Em outras palavras, quando as mulheres não encontram na empresa a compreensão que precisam, se enchem de coragem para mudar de emprego ou até mesmo de profissão. Tudo para achar uma forma de ficarem próximas de suas crias. O período de ajustes pode ser tumultuado e implantar um novo esquema nem sempre é fácil, mas elas são unânimes em dizer: vale a pena. Veja o que as mães modernas têm feito para garantir seu lugar tanto no mercado de trabalho como ao lado de seus filhos: 


Horários malucos 

O que importa não é mais o expediente comercial e sim o horário do bebê. Mamadas, banho, sono, abertura do berçário, a nova rotina da mãe é redesenhada a partir destes compromissos. Miriam Kenia, produtora, 38 anos, sabe bem o que são horários malucos: quando seu filho Otto tinha seis meses, ela voltou a trabalhar e passou a entrar às 5 da madrugada para poder sair às 15h, além de correr nos intervalos para tirar leite ou amamentá-lo. "Trabalhei tão sério e com tanta dedicação, que fui promovida. Eu tinha uma meta que era não abrir mão da amamentação. Como não era viável para a dinâmica familiar deixar o trabalho naquele momento, criei a situação possível e deu certo." Muitas vezes a volta parcial pode ser excelente opção. É o caso da veterinária Ana Flavia Cascão que treinou uma substituta para atender seus pacientes na parte da manhã para poder curtir sua filha Olivia de 1 ano, neste período. Trabalhando apenas à tarde ela se sente muito melhor: "Funciona muito bem! Posso me dedicar a ela e trabalhar sem culpa e feliz e agora ainda tenho uma equipe!" 


Fraldas e computador dividem a mesa 

Quem trabalha em casa sabe: a rotina da família se mistura ao ambiente profissional e quando a mãe se dá conta, há fraldas e brinquedos dividindo o espaço com computador e papéis. Mas o home office agrada às mães que não se sentem prontas para se separarem de seus bebês e têm profissões que permitem o trabalho remoto. É o caso da tradutora Tania Nogueira, 35 anos, mãe de Alon, 1 ano e meio, que estava empregada quando seu filho nasceu e pediu demissão para poder produzir de um jeito mais livre. Ela agora trabalha em casa enquanto o menino está na escolinha e, às 15h30, encerra as atividades para sair com ele. "Vamos para o parque brincar. Não adianta cliente ligar, deixo claro que meu trabalho termina quando meu filho chega e só retomo no dia seguinte". A editora Natalia Coltri, 28 anos, também desistiu do emprego fixo por conta das longas horas que ele exigia. "eu trabalhava 10 horas por dia e perdia 2 no trânsito, chegava em casa e encontrava minha filha de sete meses dormindo, era um sofrimento para nós duas" . No entanto, Natalia confessa que enfrentou dificuldades para se estabelecer como freelancer: "fiquei um tempo sem trabalho e insegura. Mas a vontade de ver a Valentina crescer me inspirou a procurar e, aos poucos, os contratos foram surgindo. Hoje, me emociono porque consigo trabalhar e pegar minha filha na escola. Parece um sonho". 


Uma nova profissão 

Para algumas mulheres a chegada da maternidade é um verdadeiro divisor de águas na vida profissional. Este processo às vezes se dá lenta e gradualmente, como no caso da advogada Ana Carolina Louvatto, 37 anos. Com o nascimento da primeira filha, Maria Luiza, há três anos, Ana começou a diminuir o ritmo de 14 horas diárias para apenas 8. Depois, mudou para um escritório perto de casa. Grávida da segunda filha, decidiu trabalhar em home office. Helena nasceu e não demorou muito para Ana Carolina perceber que, na verdade, seu ofício é que não lhe dava mais realização. "Depois de ter precisado fazer uma viagem a trabalho quando a caçula tinha apenas um mês, vi que era hora de renunciar, não sentia mais vontade de advogar naquele ritmo. Fiquei com apenas alguns clientes pequenos". Com tempo livre, foi experimentar atividades e descobriu uma nova profissão: "Virei doceira e hoje fazer bolos e me enche de energia. Acompanho tudo das meninas e estou amando minha nova profissão", conta entusiasmada. 

A mudança de ares parece mesmo surgir como uma necessidade que grita à algumas mulheres. Cinthia Calsinski, 37 anos, era especialista em cardiologia e já estava no doutorado quando teve seu primeiro filho, Matheus, 5 anos. Ficou tão interessada pelos temas parto e amamentação que no nascimento de sua segunda filha, Bianca, decidiu mudar o rumo. Hoje ela cursa enfermagem obstétrica e trabalha em alguns períodos acompanhando parto. Cinthia vibra com sua escolha: "Consigo exercer a maternidade como gostaria e tenho um trabalho que me dá prazer!" 

Parece que, no saldo final, o que as mães querem - e com muito jeitinho vêm conseguindo - é a felicidade dentro e fora de casa! 

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