Disco Nota 11: Combat Rock - The Clash

domingo, 18 de maio de 2014

Por Paulo Fernandes para rockontro.com



“Combat Rock”, de 1982, quinto álbum de estúdio do Clashé um retorno ao rock básico. Se as experiências rítmicas e sonorasprincipalmente as do álbum anterior “Sandinista”estavam devidamente assimiladas e controladas, as letras das músicas mostram que o quarteto estava tão provocativo e questionador como antes.



CONHEÇA SEUS DIREITOS

O rock de combate aos podres do mundo começa com Know Your Rightsuma crítica aos assassinatos legalizadas feitos pela polícia (qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência). Strummer assume o papel de um porta-voz oficial anuncia aos desprivilegiados os seus três direitos:

1)      “Você tem o direito de não ser mortoAssassinato é crime, a não ser que seja feito por um policial ou por um aristocrata”;

2)      “Você tem o direito a dinheiro para alimentaçãoproporcionando claro, se você não se importar com um pouco de investigaçãohumilhação, e, se você cruzar os dedosreabilitação”;

3)      “Você tem direito à liberdade de expressãodesde que você não seja burro o suficiente para realmente tentar isso”.


Após o surreal fluxo de consciência do punk-reggae Car Jammingtemos o maior sucesso comercial do Clash, que serviu de inspiração até para os Mamonas AssassinasShould I Stay or Should I Go. Rock de riff irresistível cantado por Mick Jones, com algumas partes de “tradução simultânea” para o espanhol por Strummer e Joe Ely.

Rock The Casbah é uma fábula sobre a proibição do rock em um reino fictício (ou não?) do Oriente MédioNum desafio à proibição, a população continua a balançar a cidadela (casbahao som do rock. Mandados bombardear os infratoresos pilotos dos aviões terminam por cair no rock junto ao povo.



Paul Simonon canta em Red Angel Dragnetsobre uma organização de patrulheiros voluntários civis criada em Nova York - os Guardian Angels, enquanto Kosmo Vynil recita passagens do filme “Taxi Driver”.



contundente Straight to Hell é basicamente uma canção contra as injustiças ao redor do mundo. O baterista Topper Headon disse que imprimiu um ritmo de Bossa Nova à canção (será?).


O PUNK ENCONTRA O BEAT

O funk rock Overpowered by Funk conta com a participação do grafiteiro Futura 2000.

holocausto nuclear, pesadelo constante àquela épocaé o tema de Atom Tan.



Carregada de tintas orientais a música Sean Flynn fala sobre o desaparecimento do fotojornalista Sean Flynnfilho do ator Errol Flynndurante cobertura da Guerra do Vietnã.



Ghetto Defendantuma das minhas preferidasmarca sublimemente o encontro entre duas gerações de contestadores: o poeta beat Allen Ginsberg recita poemasenquanto Joe Strummer canta seus temas políticos e sociais. E uma marcação rítmica de arrepiar!!

Ginsberg, Strummer e Jones a trocar figurinhas


Mick Jones canta sobre guerra, com direito a uma animadinha batida militar, em Inoculated City. O disco se encerra com Death Is a Staronde Strummer fala e canta acompanhado por um instrumental acústicoincluindo o piano de Tymon Dogg.



Mais que um álbum de rock, Combat Rock é uma enciclopédia de crônicas e demandas feitaspela banda mais engajada que  existiu. Se ao falar isso pode parecer algo chato e maçante para alguns é  lembrar que esse manifesto(s) vem embalado numa música criativa e inventiva que acada audiçãomesmo passados mais de 30 anospercebemos novos finos detalhes que continuam a nos maravilhar.



FAIXAS
 

Todas as faixas são composições coletivas creditadas a The Clash.

Lado 1
   1) Know Your Rights
   2) Car Jamming
   3) Should I Stay or Should I Go
   4) Rock The Casbah
   5) Red Angel Dragnet
   6) Straight to Hell

Lado 2
   1) Overpowered by Funk
   2) Atom Tan
   3) Sean Flynn
   4) Ghetto Defendant
   5) Inoculated City
   6) Death Is a Star

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